A marcha francesa contra o terrorismo levou cerca de 2,5
milhões de pessoas às ruas na tarde deste domingo, cerca de 1,5 milhão
em Paris e 1 milhão em outras cidades francesas. Na capital, a
manifestação pela paz começou por volta das 14h30 (aproximadamente 12h
em Brasília), saindo da Praça da República, seguindo pela Avenida da
República, até a Praça da Nação. Esta já é considerada a maior
manifestação do tipo na história da França.
Ao longo do trajeto, demonstrações de consternação e emoção de
algumas pessoas, que caminhavam silenciosas, se misturavam a brados
corajosos de manifestantes que cantavam A Marselhesa, canção
revolucionária que se tornou o Hino Nacional da França. O silêncio
também era interrompido por palmas em homenagem às vítimas dos atentados
terroristas que assustaram o país no decorrer da semana.
Entre os manifestantes, um grupo de jovens judeus pedia por mais
segurança à população. O estudante Samuel Knafo, que balançava com vigor
uma bandeira da França durante o trajeto, lembrou da morte de quatro
pessoas em um supermercado judeu, na sexta-feira, e disse que não se
sente seguro. “Espero que agora as autoridades tomem providências”,
declarou. Ruben Benhamou, também estudante, disse que é a favor de que
todos convivam em harmonia: cristãos, judeus, muçulmanos e ateus.
“(Porém), é preciso eliminar o extremismo do seio da sociedade”.
Grande parte dos que marcharam na tarde de hoje segurava cartazes e
faixas com declarações contra o terrorismo e em solidariedade às 12
vítimas do ataque terrorista ao jornal satírico Charlie Hebdo, ocorrido na quarta-feira (7), em Paris. A frase Je suis Charlie (Eu sou Charlie) se tornou o grande mote da manifestação. Alguns, traziam a corajosa declaração “Não tenho medo”.
A dona de casa francesa Valentine Bouquet participou da marcha
com as filhas e segurava uma faixa que dizia “Matar não é uma
religião”. Segundo ela, não há nenhuma religião que justifique o
extermínio de pessoas. “Ninguém pode sair matando e dizer que está
fazendo isso em nome da religião. Isso é inaceitável.”
Um grupo de representantes do cinema francês chamou a atenção durante
a caminhada. Eles protestavam a favor da liberdade de expressão, com
cartazes que indicavam que o ataque ao Charlie Hebdopoderia ter acontecido com qualquer um dos que estavam ali presentes.
Em Paris, a manifestação reuniu pessoas de todas as idades e famílias
inteiras. O menino francês Youri Gauthier, de 10 anos, sabia bem pelo
que estava marchando: “Pela paz”, disse ele, que usava um chapéu feito
com vários lápis, em referência aos cartunistas da revista Charlie
Hebdo.
Chefes de Estado presentes em Paris, entre eles, os líderes do Reino
Unido, da Alemanha, da Dinamarca, da Polônia, de Israel, da Palestina e
da Jordânia, além do presidente francês, François Hollande, marcharam
durante 20 minutos na linha de frente da manifestação. Líderes da União
Europeia, como o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e
o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, também estiveram
presentes.
Além de Paris, manifestações ocorrem simultaneamente em várias
cidades da Europa, entre elas, Londres (Reino Unido), Madri (Espanha) e
Viena (Áustria).
Correio de Brasil






0 comentários:
Postar um comentário