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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Com obras paralisadas, HRTM continua superlotado


Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2015
Obra de reforma e ampliação do Hospital Regional Tarcísio Maia continua paralisada – Foto Alcivan Costa
Pacientes nos corredores, espera por cirurgias, falta de profissionais de determinadas especialidades, quadro funcional reduzido, um cenário no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) que se redesenha em consequência da disparidade entre o crescimento no número de atendimentos e a estagnação da estrutura física e humana da unidade.

Acompanhantes de pacientes reclamam de situação do único hospital de urgência e emergência da cidade. Ruth Braga acompanha a irmã que fez uma cirurgia e conta que viu muitos pacientes esperando no corredor da unidade. Ela diz ainda que um rapaz que sofreu um tiro no fêmur precisa passar por um procedimento cirúrgico e que desde sábado ele está aguardando no corredor para fazer uma cirurgia. “Ficam passando o rapaz de um médico para outro e nenhum faz. E nos corredores sempre tem paciente. O atendimento é muito ruim”, diz ela.
Ruth diz ainda que viu duas pessoas morrerem sem assistência. “Eu chamava, dizia que a pessoa estava morrendo e a enfermeira não vinha. Em uma dessas pacientes não tinham colocado nem o acesso à veia. Quando a médica veio perguntou pelo acesso e as enfermeiras ficaram caladas, nenhuma respondeu”, afirma.
Além da lotação, acompanhantes reclamam que há poucos médicos e poucos profissionais de Enfermagem.
Bárbara Beatriz é acompanhante do pai de 83 anos que está internado no HRTM sentindo dores. As dores começaram na mão e depois foram avançando pelo corpo. Até ontem, 5, pela manhã, os médicos ainda não haviam descoberto o problema, segundo a filha do paciente. O Pai de Bárbara está internado desde o dia 31, e para descobrir o problema, o indicado seria receber atendimento de um cirurgião vascular, mas no hospital não tem profissional com essa especialidade. “Os médicos não dão um laudo. Já falei com a direção que disse não poder fazer nada porque não tem um cirurgião vascular. Mandaram eu procurar a Prefeitura. Mas o meu pai vai ficar aqui sem saber o que é? Nós estamos juntando dinheiro para ver se podemos pagar uma consulta particular com um especialista”, diz.
Bárbara revela ainda que faltam medicamentos no hospital, e que precisou comprar dois medicamentos para aliviar as dores que o pai sente.
Enquanto pacientes precisam de mais espaço, são acomodados em macas nos corredores do Tarcísio Maia, pois a unidade passa por uma obra que está paralisada há muito tempo. A assessoria de imprensa do HRTM informa que a reforma está paralisada e ainda não há previsão de retorno. No mês passado, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, que tomou posse em janeiro, visitou as instalações e conversou com direção, funcionários e pacientes. Na ocasião, já havia pacientes nos corredores.
A obra está paralisada há cerca de um ano e meio e, ainda de acordo com a assessoria, quando for concluída, serão mais 30 leitos para a clínica cirúrgica, dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI Pediátrica) e mais de dez leitos de UTI geral.
Sobre o cirurgião vascular, que o pai de Bárbara necessita, a assessoria confirma que realmente não existe essa especialidade no HRTM, e que pacientes que precisam, dependendo do caso, são encaminhados para Natal, para um hospital especializado.
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