A decisão do jornal satírico francês Charlie Hebdo de
publicar uma nova charge de Maomé na capa da edição histórica que foi às
bancas nesta quarta-feira gerou reações de líderes islâmicos em todo o
mundo. O secretário-geral da Organização para a Cooperação Islâmica
(OIC), Iyad Amin Madani, qualificou a atitude do jornal de “insolente,
ignorante e irresponsável”.
Madani lembrou que o mundo islâmico não só condenou os ataques
terroristas ocorridos na última semana na França, como participou, por
meio de cidadãos e líderes, da marcha que reuniu 1,5 milhão de pessoas
domingo, em Paris. “Mas, ao mesmo tempo nós vemos que, no dia seguinte, o
jornal voltou a publicar desenhos de Maomé. Isso é uma insolência, uma
ignorância e uma irresponsabilidade. Pessoas marcharam pela sua
liberdade de expressão, mas essa liberdade não pode atingir a crença de
outras pessoas”, enfatizou Madani.
O ministro do Exterior do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse que
“valores e crenças precisam ser respeitadas para que haja um diálogo
sério com o Ocidente”. Zarif fez a declaração em entrevista concedida
antes de iniciar reunião com o chefe da diplomacia norte-americana, John
Kerry, sobre a redução da capacidade nuclear do país,
O grupo Hamas, movimento islâmico fundamentalista, também se
manifestou. Em Gaza, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, condenou a
charge do profeta Maomé. “Esta é uma ação perigosa. É claramente um
ataque aos muçulmanos, é uma motivação para o ódio e a consolidação do
ódio contra os muçulmanos no mundo e na França. Todas essas campanhas
contra o islamismo, contra o profeta Maomé e contra os muçulmanos no
Ocidente precisam parar”.
A capa da edição histórica do Charlie Hebdo, a primeira
depois que a redação do jornal foi atacada por terroristas, que mataram
12 pessoas na última quarta-feira, traz uma charge do profeta Maomé com
lágrimas nos olhos, segurando uma placa onde se lê “Je suis Charlie“, que quer dizer “Eu sou Charlie”, a mesma frase usada por milhões de manifestantes que marcharam pelas ruas da França no domingo. No topo, o título: Tudo está perdoado.
A edição do Charlie Hebdo tinha tiragem prevista
de 3 milhões de exemplares, mas, com a grande demanda registrada nesta
manhã, foi ampliada para 5 milhões, número mais de 80 vezes maior do que
a circulação normal, de 60 mil.






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